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Pois bem, ainda tenho bem claro na mente os movimentos dos dedos grossos e calosos, de levar furada de agulhas, daquelas mulheres criando a boneca tão sonhada das meninas. Agora, muitas dessas meninas, moçinha, já estavam naquela fase da vida que Luis Gonzaga cantou, em o xote das meninas: “toda menina que enjoa da boneca / É o siná que o amor já chegou no coração…” E esse era o sinal mesmo… Quando as bonecas começavam a ficar encostadas era porque elas já estavam “suspirando e sonhando acordada”. Não tinha médico que diagnosticasse a mudança… “(…) o pai leva ao dotô / A filha adoentada/ Não come, não estuda, não dorme, não quer nada/ Ela só quer / Só pensa em namorar / Mas o dotô nem examina / Chamando o pai do lado/ Lhe diz logo em surdina/ Que o mal é da idade/ Que prá tal menina / Não tem um só remédio/ Em toda medicina…”
Fiz esse floreio todo porque queria contar da reportagem que acabo de ver das bonequeiras do Crato, no Diário do Nordeste
Do Diário do Nordeste
Crato - Bonequeiras deste Município, um grupo de mulheres, que transformou a sombra de uma mangueira em um “atelier terapêutico” para fabricação de bonecas de panos, foram inspiração para um livro lançado na última semana, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP), durante uma exposição do artista multimídia Avelino Bezerra, que faz uma retrospectiva de seus 30 anos na Universidade.
O livro “Tramas e Dramas do Boneco de Pano no Tatadrama”, de Elisete Leite Garcia e Maria Ivette Carboni Malucelli (Ed. Livre Expressão, 196 páginas), está ancorado em um dos pensamentos de Platão: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa”. O primeiro capítulo do livro é dedicado ao Cariri que, segundo Elisete, foi a fonte de inspiração do seu trabalho. Mais detalhes

