Há muito tempo que Adriana Calcanhoto tinha sido contaminada pelo “micróbio do samba”. O remédio que tomou foi pra ele ainda mais se intensificar em sua alma. Mas, somente agora é que ela resolveu tratar do caso num belo trabalho que se chama: “micróbio do samba”.
Uma mania de jornalista é a de classificar as coisas. Mas, cá prá nós, é quase todo mundo assim (biólogos, químicos, sociólogos, psicólogos…). A poesia é mais livre dessas coisas… Mas também, vez por outra, recorre a esse artifício. Artistas também são sensíveis a essas etiquetas. Um deles é Marcelo Camelo (ex- Los Hemanos). Fiz uma busca rápida sobre o cara e vi que a vida dele também é muito adjetivada: estranho, mauricinho, difícil, e por aí vai. Quer ver outro adjetivado? Caetano Veloso, Lula da Silva… Pois é, esses caras deixam o jornalismo a flor da pele, seja por fugir dessas classificações, seja pelas suas declarações ou até mesmo pela ausência delas. Essas coisas, às vezes, direciona a atenção do público mais para o personagem que para sua obra ou esbarra no trabalho do cara com um conceito pré concebido.
Voltando ao Marcelo Camelo, tem uma composição dele, no cd “Nós ou Sou”, que, a gente reparando bem, a primeira impressão é a de um artista que pouco se importa com o que o mercado fonográfico e o publico esperam dele, assim cria sua música e isso o coloca no espaço da liberdade.
“Posso estar só
Mas, sou de todo mundo
Por eu ser só um
Ah, nem! Ah, não! Ah, nem dá!
Solidão, foge que eu te encontro
Que eu já tenho asa
Isso lá é bom, doce solidão?”
Doce solidão, Marcelo Camelo
Pois bem, o cd do ex-Los Hermanos, não tem jeito; é introspectivo e, ao mesmo tempo, alegre. Quando escutei pela primeira vez até achei que fosse um trabalho de uma música só… porém, aos poucos você percebe que as canções vão te levando à sensações diferentes.
.Há quem diga que ele Marcelo camelo “não faz canções, mas exorciza sentimentos”. Concordo com a idéia.
Deixem tudo que escutou ou leu acerca do cara e escutem a canção abaixo.
A atriz anglo-americana Elizabeth Taylor morreu hoje, aos 79 anos, em Los Angeles. A lendária atriz, que protagonizou “Gata em Telhado de Zinco Quente”, “Cleópatra”, “Butterfield8″ e “Quem tem medo de Virginia Woolf?”, também ficou imortalizada nesta obra de Andy Warhol.
“(…)Elizabeth Taylor é, em minha opinião, a maior atriz da história do cinema. Ela entende intuitivamente a câmera e suas intimidades não verbais. Abrindo os olhos violeta, conduz-nos ao reino líquido da emoção, que habita por intuição pisciana. Richard Burton disse que ela o ensinou a atuar para a câmera. Economia e contenção são essenciais. Em sua melhor forma, Elizabeth Taylor simplesmente é. Uma carga elétrica, erótica, faz vibrar o espaço entre o rosto dela e a lente. É um fenômeno extra-sensório, pagão.
Meryl Streep, à maneira protestante, entusiasma-se com as palavras; exibe sotaques inteligentes como uma máscara para suas deficiências mais profundas. (E não sabe dizer uma fala judia; destruiu o cáustico diálogo de Nora Ephron em A difícil arte de amar.) O trabalho de Meryl não vai longe. Tentem dublá-la para cinemas indianos: não restará nada, só aquele rosto ossudo, cavalar, movendo os lábios. Imaginem, por outro lado, atrizes menos técnicas como Heddy Lamarr, Rita Hayworth, Lana Turner: essas mulheres têm um apelo internacional e universal. Seriam belas no Egito, Grécia, e Roma antigos, na Borgonha medieval ou na Paris do século XIX. Susan Haywad fez Betsabé. Tentem imaginar Meryl Streep num épico bíblico! Ela é incapaz de fazer os grandes papéis legendários ou mitológicos. Não tem poder elemental, não tem aquela sensualidade tórrida.(…)
Elizabeth Taylor é uma criação o show business, dentro do qual ela tem vivido desde que começou como atriz infantil. Ela tem a hiper-realidade de uma visão de sonho. Meryl Streep, com seu chato decoro, é bem-vinda à sua pose de atriz esforçada e despretensiosa. Eu prefiro a velha Hollywood lixo, cafona, a qualquer hora. Elizabeth Taylor, entusiasticamente comendo, bebendo, no cio, rindo, xingando, trocando de maridos e comprando diamantes aos montes, é uma personalidade em escala grandiosa. É uma monarca numa época de tristes liberais. Como estrela, ela não tem, ao contrário de Greta Garbo, Marlene Dietrich e Katharine Hepburn, qualquer ambiguidade sexual em sua persona. Terrena e sensual, apaixonada e voluntariosa, mas terna e empática. Elizabeth Taylor é a mulher em suas muitas fases lunares, admirada por todo o mundo”.
Trecho de Rainha Pagã de Hollywood, texto de Camille Paglia, publicado na Revista Penthouse em 1992, parte da coletânea Sexo, Arte e Cultura Americana (Companhia das Letras).
Assista abaixo, curta “Puce Moment”, de Kenneth Anger, cuja incorporação foi proibida… É sobre atrizes de Hollywood em suas mansões durante o final dos anos de 1940.
Tarde fria de janeiro em Washington, DC. O casal Obama conversa numa das salas íntimas de sua residência na Casa Branca.
- Barack, o que você acha de fazermos uma pequena viagem? As meninas andam meio enjoadas por aqui.
- Agora não dá, Michelle. A tragédia de Tucson, no Arizona, está muito recente.
- Não precisa ser agora. Pode ser mais pra frente. Só a excitação de começar os preparativos já animaria a Casa. Tem algum lugar que você precisa visitar?
- Dos lugares que preciso visitar quero distância, mas um lugar que sonho conhecer é o Brasil. Na verdade, o Rio de Janeiro.
- Interessante, gostei, e aquele barbudo até que é simpático.
- Ele já não é mais o Presidente, Michelle. Agora, é uma mulher.
- Melhor ainda. Posso levar mamãe?
- Claro. Convida também a madrinha das meninas.
Sábado, 19 de março de 2011, 7,31 h. O Air Force One pousa em Brasília trazendo Barack Obama e família. Grande expectativa. Pelo menos, era o que retratava a mídia que em poucas horas passara da “catástrofe nuclear” de Fukushima, no Japão, para as “concessões comerciais” de Obama, no Brasil, e ao “ato heróico”, na Líbia, das forças de coalizão. Defender civis bombardeando outros civis.
A coluna não sabe se a insistência de Obama em conhecer o Corcovado, no Rio, incluía alguma promessa. Destravar o comércio de produtos agrícolas entre “essas duas nações amigas unidas pelas suas raízes africanas”, teria sido uma boa.
Sim, porque apesar das críticas à condução de nossa política externa recente, tivéssemos esperado a boa vontade dos EUA nos acordos multilaterais ou bilaterais, estaríamos, pesadamente, sentados no lado errado de nossa balança comercial.
Ou ainda há quem acredite que sem o glamour que dirigimos aos bons ventos asiáticos, latino-americanos e africanos as exportações do agronegócio estariam no nível em que estão?
Nada de concreto que beneficiasse nossas economia e agropecuária poderia deslanchar com a viagem de Obama. Nem mesmo em seu país ele tem conseguido muito, manietado por uma crise econômica ainda não debelada e por um Congresso que cruza interesses na mesma proporção em que imigrantes latinos tentam cruzar a fronteira.
Conselho de Segurança da ONU? Sem uma reforma total da organização? Retirar ou diminuir as barreiras às nossas exportações, e prejudicar a atividade rural, um dos motores da recuperação norte-americana?
Nossas exportações de açúcar continuarão limitadas a 153 mil toneladas. Qualquer coisa acima disso será taxada com mais US$ 338,70 por tonelada.
Nosso etanol de cana-de-açúcar continuará sobretaxado para chegar aos EUA a 16 centavos de dólar acima do mercado interno. No suco de laranja, tome mais US$ 416 por tonelada. Carnes suína e bovina? Só se vierem de Santa Catarina.
A visita de Barack Obama, invertendo o fato histórico de o nosso presidente, assim que eleito, viajar para o beija-mão, tem a ver apenas com os interesses norte-americanos no Brasil.
Depois da tentativa frustrada com a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), os EUA procuram mercado para sua indústria, hoje, trabalhando a baixa capacidade e que mal compete com a China e seu desvalorizado Yuan.
Arrisca também um olho no petróleo de pré-sal.
A despeito de hoje terem um presidente de ideias mais liberais, simpático e identificado com as causas que geram desigualdade, as instituições norte-americanas nunca deixaram de escrever a história alheia pelas suas forças políticas, econômicas ou militares.
Fossem justas e boas suas intenções, os contenciosos que ganhamos na OMC (Organização Mundial do Comércio) já teriam sido cumpridos.
Rui Daher é administrador de empresas, consultor da Biocampo Desenvolvimento Agrícola.
O discurso de Obama, ontem no Rio, cita o filme Orfeu Negro, de 1959, que foi baseado em uma peça do Grande poetinha, Vinícius de Morais, e dirigido pelo Marcel Camus, com Breno Mello (um drama em cores, com duração de 90min). O filme transpõe o mito grego de Orfeu e Eurídice, um drama de amor, para uma favela do Rio, durante o carnaval. Tendo ganhado muitos prêmios, o belo filme foi um dos pilares da bossa nova… Penso que ajudou a projetar os clássicos de Vinícius, Tom Jobim, Antônio Maria, Luiz Bonfá, entre outros. (“Manhã de Carnaval, de Bonfá / “A felicidade”, de Tom e Vinicíus / e o “Nosso Amor”, de Tom Jobim ).
A poesia está viva… Não apenas quando ela é lida, dita, recitada… mas também quando é reinventada. O belo poema de Manoel Bandeira, “Vou-me embora prá Pasárgada”, foi revisitado e reescrito pelo paraibano Jessier querino que é um arquiteto de palavras do imaginário nordestino.
“Há poesia em tudo – na terra e no mar, nos lagos e nas margens dos rios. Há-a também na cidade – não o neguemos – facto evidente para mim enquanto aqui estou sentado: há poesia nesta mesa, neste papel, neste tinteiro”
O carnaval passou… Sou das antigas e por isso no período de carnaval escuto marchinhas, frevos e trios elétricos baianos… Mas tem uma marchinha que eu adoro, do Noel Rosa (um pierrot apaixonado…). É uma canção triste feita para uma festa alegre. Esse aspecto também está presente na marchinha do Chico Buarque, “noites dos mascarados”. Chico sugere uma deliciosa incompletude… a tensão nunca resolvida entre revelação e ocultação. Tudo entra no jogo: desejo, amor, identidade… O rosto, a máscara. A busca da coisa rápida… ou o gosto pela eternidade. A pergunta de partida é: Quem é você?
Quem é você?
Adivinhe, se gosta de mim
Hoje os dois mascarados
Procuram os seus namorados
Perguntando assim:
Quem é você, diga logo
Que eu quero saber o seu jogo
Que eu quero morrer no seu bloco
Que eu quero me arder no seu fogo
(…)
“Ofereço-te ruas estreitas, poentes desesperados, a lua dos subúrbios miseráveis. (…) estou a tentar subornar-te com a incerteza, com o perigo, com a derrota.” Borges
Ontem, dia 18, completou-se nove meses da morte de Saramago, Nobel de literatura, “o tempo que se demora a morrer” – frase do romance “O ano da Morte de Ricardo Reis. Ontem, vendo um canal português na TV a cabo, vi que era a inauguração da casa e da biblioteca do grande escritor português em Lanzarote, nas ilhas Canárias, onde vivia desde os anos de 1990. E foi lá que José Saramago escreveu os romances das duas últimas décadas e viveu até meados de junho de 2010.
Regra geral, os elementos da cultura são: conhecimentos, valores, crenças, normas, símbolos… De modo geral, as culturas se diferenciam uma das outras em relação aos princípios básicos, muito embora tenham características comuns. Assim, a concepção do relativismo cultural é defender a idéia de que as avaliações devam ser relativas à própria cultura onde surjam. Os valores, certo ou errado, dos usos e costumes das sociedades estão relacionados com a cultura onde o sujeito faz parte. Porém, os traços culturais apontam os menores elementos que permitem a descrição da cultura. No caso da foto, o significado pode ter diferentes compreensões, de acordo com a lupa que cada cultura enxerga; e é aí que entra a relatividade.
Em homenagem ao potiguar, José Xavier Cortez, proprietário da Editora e Livraria Cortez, vamos ver como os livros eram impressos, lá pela década de 1930, 1940… O processo devia ser assim: o sujeito pensava uma história, tema… Escrevia o enredo e acreditava que muita gente ia gostar de lê-lo. Assim, essa história deveria ser transformada em um livro… Pois bem, mas como era o processo de impressão de um livro? É o que vamos ver no vídeo abaixo.
O nome dessa cantora é Marina de La Riva; filha de mãe brasileira e pai cubano. Essa mistura dá um caldo bom demais da conta. Descobri a menina por acaso, num domingo desses dando uma olhada na Tv. As músicas cantadas por Marina é uma colagem, fusão das cidades do Rio e Havana como base para um imaginário criativo das lembranças da moça.
Descobri que o cd foi gravado em 2004 e tem participações de Davi Moraes e Chico Buarque. Tem preciosidades como: Xote das Meninas de Luiz Gonzaga e Zé Dantas (de 1953) e Tin Tin deo, dos cubanos Gil Fuller e Chano Pozo (Esses dois caras introduziram os ritmos latinos no Jazz). Isso aí é só um resumo do álbum da moça que tá bom demais. Dêem uma espiada sem compromisso no vídeo abaixo. Só mais uma coisinha: o último vídeo Chico Buarque, junto com ela e artistas cubanos, em Havana. A canção é “La caminadora”
As músicas do Noel são de uma simplicidade poética, de uma sutileza que parecem ser de anos recentes. Sempre achei que elas fossem irmãs das composições do Chico. Nem quero discutir mérito, coisa alguma. Bem, Noel e Francisco Buarque estão ali bem empareados em minhas referencias. Sou do tempo do rádio AM em que se ouvia do Bolero de Ravel à Orlando Silva, passando por Chico, Gil, Mutantes, Reginaldo Rossi, Luis Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Noel, Nelson Cavaquinho, Bartô Galeno, Teixeirinha e Waldick Soriano… Mas voltando ao assunto, Chico é o maior letrista desde Noel Rosa. Noel de Vila Isabel fez: “Três Apitos, Conversa de Botequim, O Orvalho vem Caindo… Já o Chico fez Januária, Carolina, Rita, Beatriz, Juca, Apesar de Você. Claro que guardadas as devidas proporções, como diz uma amiga minha, as letras do Chico têm formas mais complexas que as de Noel, pela sua formação, pela vida que sempre levou. O estilo de Noel talvez o levasse a compor “Carolina”, Januária… Mas “Construção, Geni e Zepelim, talvez não.
Noel tinha espantosa fluência verbal fazia tudo parecer muito fácil. Sua vida boêmia e seus desenganos amorosos lhe deram uma percepção amarga das coisas que se vê em “Último desejo”, “Pra que mentir”, “Filosofia”, “Quantos beijos”… Diz-se dele (como de tantos compositores do samba) que compunha batucando na mesa do botequim, rabiscando em guardanapos, esperando o bonde. Fazia música de ocasião, atendendo à provocação de um amigo, ou estimulado pela melodia nova que o parceiro acabava de dedilhar ao violão.
Abaixo, o Rodrigo Amarante e Orquestra Imperial, canta um clássico do Noel, “Pela primeira vez”. No segundo vídeo Caetano canta “Carolina”, do velho Francisco Buarque.
Nesses últimos dias temos visto a grave situação do Japão. Isso nos leva a pensar nos japoneses que, espalhados por todo o mundo, estão a salvo da tragédia… Mas com certeza, terão famílias, parentes e amigos a viver um novo tempo de angústia. Tenho um casal de amigos que moram no Rio de Janeiro e que são japoneses. Por algumas vezes cortei o impulso de lhes escrever – sei o que lhes diria, porém, não sei se é o que precisam ler neste momento. Os entrevistados na TV apresentam uma aparente calma… Mas percebemos que estão numa situação delicada e que estão presos numa armadilha e que têm que controlar suas emoções e ao mesmo tempo atravessar o inferno sem pânico, e aí meu juízo apresenta uma perguntinha simples: se eu enviasse um e-mail, que valor acrescentaria se abrisse prá cima deles, em algum momento, a cancela do meu horror? Ou se pedisse mais calma, tranqüilidade?
São nessas passagens da vida que me dou conta de grandes diferenças, e de como temos de ser cuidadosos para não esperar dos outros, maneiras de sentir, agir, reagir e interagir como as que no caldeirão da minha cultura se apresentam como naturais.
Bem, já problematizei e me distanciei do problema… coisa muito comum nas análises sociológicas. Mas o que de fato posso fazer? Receberia em minha casa uma família de “refugiados de radioatividade”? SIM. Receberia… A qualquer hora.
Um dos tantos discursos de Kadafi, desde que ficou acuado – vestido estranhamente com os braços levantados, como se estivesse numa “festa em transe” – foi inspiração para o clipe que faz jogo com a palavra “zanga” (beco), muito utilizada pelo líder líbio nas ameaças de perseguição. (casa por casa, centímetro por centímetro, lar por lar, beco por beco, rua por rua… )
Na verdade, nada mais é que uma versão de Hey Baby (by Pitbul & T Pain) e funcionada como uma espécie de hino para àqueles que estão fazendo a revolução no território líbio e que já tomou conta dos países árabes.