Tags

, , , , , ,

Integrante do projeto de reformulação do financiamento à cultura, o Vale-Cultura traz, em si, a discussão sobre a falta de acesso ao que se produz. Não por acaso, seu lançamento serviu para reiterar a intenção do governo de mexer na Lei Rouanet, o principal mecanismo de incentivo cultural do país. Lula partiu dessa idéia para defender a abertura de salas de cinema e a melhoria na distribuição de filmes. “Não é mais possível o Brasil continuar produzindo coisas de ótima qualidade e ter uma distribuição de péssima qualidade.”
Os artistas, por sua vez, disseram estar apreensivos quanto ao futuro do vale. “Ainda é um PL. Vai depender da vontade coletiva, da ‘equação Brasil’, que não é simples”, diz o músico Antonio Nóbrega. “Mais difícil do que aprovar é conscientizar a tropa de elite de que isso deve ser transferido para quem precisa”, disse o cineasta Hector Babenco.
O cantor Chico César, estrela do show que levou os quatro cantos do Brasil ao palco, observou que o Vale-Cultura é, sobretudo, uma mudança de rota. “Em qualquer área, as políticas públicas são feitas para a sociedade. Na cultura, são para o artista. O vale muda isso.”
Em meio a tantas falas, uma voz chamou a atenção pelo silêncio. O professor Antonio Candido, 90 anos, passou o evento todo sentado e, no fim, ao ser abordado pela reportagem da Folha, disse apenas: “Já passei vergonha o bastante por hoje”, referindo-se a brincadeiras e elogios feitos a ele pelo presidente. Segundo Lula, Candido inspirou a noite.
Para o Antônio Candido “a fruição da arte e da literatura em todos os níveis é um direito inalienável”. Fonte: Folha de São Paulo

Anúncios