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Raul SeixasUm guru, um filósofo, um roqueiro? Não! Raul Seixas, somente ele teria o direito de se julgar! Assim diria se estivesse vivo. Mas há 20 anos, completados no próximo dia 21, o baiano que revolucionou a música com suas letras inspiradas se despediu do público e da vida

Há 10 mil anos “atrás”, nasceu um “menino gordinho de quatro quilos e meio” , “chamado Raulzito”, “numa cidade chamada Salvador”, “numa rua chamada Avenida 7”, “numa casa número 108”. O mesmo Raul da música, o astrólogo, maluco beleza, que fazia de suas letras um registro de sua angústia como homem. Há apenas 20 anos, aquela estrela que girava em torno de sua própria órbita na Terra, que sofria sem medidas a dor de existir, passou a habitar o espaço, onde poderia voltar ao que ele chamava de “verdadeiro lugar” do homem, deixando para trás a vida, “pequeno passeio curto num lugar doido, e de mal gosto”, como definiria durante uma de suas fases mais pessimistas – mas nem por isso menos irônicas. Noutras, rejeitava não a morte física, mas a imposta pela civilização, que o obrigava a preocupar-se com a sobrevivência: “Estou cansado de morrer tão jovem/ E a resposta ainda está para chegar/ Haja paciência para ir vivendo e sobrevivendo/ Preocupar-se em sobreviver é esquecer de viver”.
De toda forma, seria impossível falar de Raul Seixas sem lembrar da paranóia da morte, desde os tempos da infância, quando rabiscava em seus cadernos o medo que tinha de perder aqueles a quem amava ou quando escrevia que “a vida é um palito de fósforo que vai se queimando até se apagar para sempre”. Diario do Nordeste.

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