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casa

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Quem anda pelo Sertão ainda se depara com edificações sendo construídas às margens de rodovias e estradas carroçais. São as taperas ou casas de taipas, construídas à base de cipós, finos troncos de sabiá ou de marmeleiros – vegetação abundante na região – e barro molhado. Apenas o telhado é coberto por telhas produzidas em olarias.
A casa de taipa nasce do chão, vem da natureza, é construída com o material que está ali, a terra e as árvores. Se for privado de sua terra, ele saberá construir uma nova habitação. O saber lhe pode servir como meio de vida, e a profissão tem um nome: taipeiro.

Uma simples caiação evita a umidade e basta fechar as frestas onde o barbeiro gosta de fazer seu ninho. Integra a família, as mulheres e as crianças trabalham na construção e integra o grupo na sociedade quando em regime de mutirão.
Em 1930, Lúcio Costa projetou uma vila operária, em Monlevade, toda em taipa de pau-a-pique, escreveu: “…faz mesmo parte da terra, como formigueiro, figueira-brava e pé-de-milho – é o chão que continua… Mas justamente por isso, por ser coisa legítima da terra, tem para nós, arquitetos, uma significação respeitável e digna, enquanto que o pseudomissões, ‘normando ou colonial’, ao lado, não passa de um arremedo sem compostura”. E aconselha: devia ser adotada para casas de verão e construções econômicas de um modo geral. É uma técnica muito mais barata, atende aqueles casais remediados que desejam uma casinha de campo. O projeto de Lúcio Costa, claro, não foi aceito pela Belgo Mineira.

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