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no balanço da redegaiola

    Esqueça qualquer lembrança de um cruzeiro convencional, com seus luxos e extravagâncias. Quem embarca no Benjamim Guimarães opta pela simplicidade. Em troca, o último vapor do mundo oferece histórias, imaginação, descobertas. Aqui, como diria Riobaldo, o objetivo não é a saída nem a chegada, mas a travessia.

Foi em 1913, no rio Mississipi – cenário de histórias de Mark Twain e Herman Melville, e também de músicas de Johnny Cash e Led Zeppelin, além da inesquecível Moon River – que o Benjamim Guimarães fez suas primeiras viagens. Tido como a mais antiga embarcação a vapor do mundo em funcionamento, em 1922 foi parar no meio da floresta amazônica. De lá, despontou no São Francisco, cenário do amor de Riobaldo e Diadorim, em Grande Sertão: Veredas.
Como se não bastasse, em meio à Segunda Guerra, lá estava a gaiola levando tropas do sertão para o mar. Mas logo retomou a vida civil, e assim seguiu por décadas, varando léguas com seu andar lento. Nos tempos áureos da navegação no São Francisco, 30 outros vapores como ele cumpriam a rota até Juazeiro, na Bahia. Outros tempos, novas tecnologias, e os vapores foram ficando para trás.
Em 1985, a caldeira pifou. Por anos, o Benjamim aguardou um novo destino, talvez seguindo a sina de se perder em ruínas ou receber um motor a diesel. Até que, 20 anos depois, ele pôde
retomar seu curso, deslizando pelo São Francisco com uma nova caldeira e sua velha roda d’água. É aí que começa essa viagem.

Da revisa ” Brasil, Almanaque de Cultura Popular”.

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