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Fonte das fotos: www.araras.fr/ e portal são francisco

A cana-de-açúcar chegou até nós pelos portugueses, muito provavelmente vinda do sudeste da Asia. Da índia veio a descoberta do açúcar preto (açúcar mascavo) feito através do xarope extraído da cana moída depois de fervido.

 Mas voltando aqui pros lados de cá, os portugueses trouxeram a cana e espalharam engenhos para produção de açúcar por esse Brasil a fora.

Os escravos iam para o canavial colhia a cana, depois processava retirava uma garapa que ia ao fogo e na fervura o açúcar se cristalizava. A divisão era assim: a camada superior, clarinha, era separada para consumo dos Senhores de Engenho e comercialização. A parte debaixo, que passava mais dias apurando, era raspada e consumida, em pedaços, pelos escravos. E é daí que vem o nome dessa iguaria das boas. Rapadura. Não precisa nem dizer que o nome deriva desta forma de consumo (raspa). A forma que conhecemos hoje, pedaços feitos cocada grande ou tabletes, só é elaborado depois, lá por volta do sec. XVII, para fins de facilitar o tempo de durabilidade e de transporte.

Mas de onde vem a força dos nordestinos? Em parte, vem do consumo da rapadura que é dez vezes mais rica em sais minerais do que o açúcar branco. Rica em carboidratos (sacarose, gliglose e frutose) e uma boa fonte de energia. E ainda, rica em vitaminas, como B1, B2, B5, B6, C, D2, E e PP.

E como se produz a rapadura? A produção da rapadura tem custo baixo e está ligada à produção/propriedades familiares. Por isso, existe uma padronização da produção. O maior produtor é o Ceará e a região Nordeste é responsável por mais de 66% da produção nacional.

Assim, a rapadura deveria ser proclamada como patrimônio imaterial da nação, como fez Gilberto Gil, quando ministro, com o acarajé. Mas, pelo menos, já existe um museu da Rapadura. Ele fica na Paraíba (Universidade Federal da Paraíba – Centro de Ciências Agrárias, Campus III). Este museu conserva a história sócio-cultural do ciclo da cana de açúcar na região no Nordeste.

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