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Fonte: foto retirada da internet

Esse livro veio parar em minhas mãos no ano passado (2009), através de uma namorada que me presenteou com o livro “Antes de Nascer o Mundo”. Adorei! o cara é fantástico, escreve em forma de poesia e prosa e diz coisas preciosas como: “o silencio é música em estado de gravidez”; “sentir raiva é outra forma de chorar”. Os personagens são bem construídos… Seus nomes não são somente nomes, mas sim parte da personalidade, da história de cada um.

 

 

Pois bem, o livro dar conta de assuntos tais como a violência contra as mulheres, as quais dedica um capítulo inteiro – “Os papéis da mulher” –, e o impacto sofrido com a chegada da globalização num país destruído e fragmentado pela guerra como Moçambique. Sua delicadeza para criticar (“quem sabe os estrangeiros privados são os novos deuses?”), e falar sobre questões mais sérias e violentas e denunciar uma série de situações intensas sem, no entanto, resultar em algo como um texto documental, objetivo, jornalístico. E mais, cada capítulo é iniciado com um poema em sua maioria de autoria de Hilda Hilst, Sophia de Mello e Breyner Andresen, que indicam o que está por vir; uma espécie de mote (repente) a que se seguem as estrofes.

As categorias de tempo – passado e presente – são partes indissociáveis… Elas se refletem nas feridas deixadas pelo passado (período da colônia, problemas sociais enfrentados por Moçambique). Já o futuro é um tempo que não existe, ausência total, uma vez que as elucubrações voltam-se para anulação de conflitos internos que formam o passado dos personagens, todos fechados em si mesmos, isolados do mundo e da vida, e assim definidos: “neste mundo existem os vivos e os mortos. E existimos nós, os que não temos viagem”.

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