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A canção “Soy loco por ti, América” não se refere a essa América “norte americana, mítica, e sim à nossa América Latina. É a primeira canção brasileira  tece elogios ao nosso pobre subcontinente, repleto de lhamas, índios vestindo ponchos… A canção (de Gilberto Gil e Capinam) apareceu no primeiro disco de Caetano Veloso (1968). É uma homenagem velada a Che Guevara (“el nombre del hombre muerto ya no se puede decirlo, quien sabe…”). Seu ritmo latino, cheio de maracas e pistons, nos remete de imediato ao mundo da salsa, do mambo, do merengue. Um mundo com o qual não nos identificávamos muito porque quase ficamos ilhado por conta de enxergarmos somente os EUA.

Uma vez, o editor da revista Veja deu uma entrevista, que lhe perguntaram qual o tipo de notícia que menos interessava ao leitor brasileiro. E ele disse, na bucha: “Qualquer coisa sobre a América Latina. A gente só publica por obrigação jornalística, mas ninguém sentiria falta se não publicássemos”. A América que queremos ver, ou que a classe média leitora de Veja quer ver no horizonte, é a América do dólar, de Miami, New York, do “vou levar as crianças à Disney”. Mas a Veja falava isso nos anos 90. Escondia os golpes de Estado… Hoje ela mostra a América Latina como recanto do atraso, do caudilhismo e autoritarismo político.

A Globo fez uma novela “América”, mas foi para mostrar os EUA, os norte americanos. Não foi para mostra a América de Simom Bolivar, Galeano, Manoel Bonfim. No dia que a Globo fizer uma novela das 8 ambientada na América de Garcia Márquez, é porque a outra parte do Brasil (elite) mudou.

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