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Um doutorzinho se dirigia à um sítio que tinha acabado de comprar e resolveu conhecer o novo vizinho. Parou o carro, se aproximou da casa, entrou e sentou no alpendre; pediu um copo d’agua, tomou uns goles… Um rapaizote veio correndo  dizer que o dono não tardava a chegar. Quando, novamente, entorna o copo d’água,  escuta uns tiros… ali por perto… Passa um pedacinho de tempo e logo chega o dono da casa, cumprimenta-o, e cai na rede da varanda. E aí o doutor, de olho aboticado, pergunta logo, tá acontecendo alguma questão aí, alguma arenga?… O dono da casa dá uma risada e diz: “Nonada”. Os tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem não. Mirei na jurema, numa baixada que tem bem ali.
Pois bem, a palavra “nonada” aparece em “Grande Sertão: Veredas”, onde Guimarães Rosa pega uma das palavrinhas esquecidas e coloca no cenário. E sabe o que ele quer dizer? “Quase nada”. Nadica de nada, um nadinha de nada. Coisinha sem significância, bagatela, besteira.
Eu entendo que “nonada” é: “não-nada”. E é assim nós falamos: “ah, não foi nada não…”

Mas, e por falar em “nada-não, me veio à memória Antônio Marinho, da região do Pajeu das Flores, em São José do Egito.

Antônio Marinho entrou numa bodega onde sempre ia para prosear. Entrou, e tava um zuadeiro medonho. O proseado estava bom, danado!… Pois bem, ficou olhando umas mercadorias que estavam na prateleira, ficou olhando… e o balconista, muito esperto, perguntou logo para Antônio:
– E o senhor aí, deseja alguma coisa?
– Nada não, respondeu Antônio Marinho.
O balconista também, de vez em quando, tirava uma de gozador… e disse:
– Nada não, não tem; tá faltando, seu Antônio, oh!
Foi ele soltando essa brincadeira, e a risadagem tomando de conta da bodega. Alguns diziam: mas Antônio levar um gozada dessa, rapaz!…
Antônio Marinho, com aquele jeitão matuto, agüentou e ficou calado por alguns minutinhos… e ficou olhando a bodega, e de repente disse:
– O que tem naquelas bacias, ali em cima? Perguntou, apontando para algumas bacias, tigelas que estavam nas prateleiras no alto da loja.
– Nada não, seu Antônio.
– Já que chegou, embrulha um quilo que eu vou levar!! Respondeu Antônio, na bucha!

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