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Aos 65 anos, Chico Buarque, compositor e escritor brasileiro ainda provoca um verdadeiro frenesi nas mulheres, rs. Seu último romance tem como cenário a história do Brasil… É um romance curtinho, chama-se “Leite Derramado”. É um livro sobre um tempo distante… década de 20. É a história de um velho de 100 anos com uma memória remota (lembra a canção do “Velho Francisco”). Não é um romance histórico, mas uma narrativa de um homem centenário que guarda memórias até dos seus pais. Vai do Brasil império até o Brasil colônia.

Na verdade, são reminiscências, lembranças claras de coisas que se passaram em 1950. Quando mais velho a gente fica, mais intimidades têm com passado. O pai de Chico era o historiador Sérgio Buarque de Hollanda, e isso trás muitas lembranças de família e de outros tempos.

A lembrança paterna: “Debaixo do chuveiro eu agora me olhava quase com medo, imaginando em corpo toda a força e insaciedade do meu pai. Olhando meu corpo, tive a sensação de possuir um desejo potente equivalente ao dele, por todas as fêmeas do mundo, porém concentrado numa só mulher”

Seu título tem sua passagem na metade do livro onde, divagando ou não, o velho vê Matilde derramando leite materno na pia do banheiro, ou ainda, em outra parte do livro, roubando do dito popular o ditado: “Não adianta chorar sobre o leite derramado”. O velho, no final de sua vida, percebe (mas não confessa) que de tudo que possuía (desde o nome de família), nada lhe sobrava.

Pois bem, Chico Buarque procurou refazer assim uma história do Brasil vista por um sujeito da elite e já decadente, ainda obcecado pela mulher, retratada por ele apenas como objeto de um desejo físico. Aos poucos, vai emergindo como vítima do ciúme e dos próprios preconceitos.

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