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 Quando criança brincava de “tica”, esconde-esconde, de roda, carro feito de lata de óleo, de madeira, de fazendeiro com gado feito de ossos de boi. Já as meninas brincavam com bonecas de pano confeccionadas com carinho por mulheres da região. Nossos brinquedos eram feitos nos arredores por outras crianças, adultos ou por nós mesmo. Sempre há àqueles mais criativos, danados, curiosos; basta ver, botar o olho na coisa e o menino faz do mesmo jeito. Nunca tive habilidade prá essas coisas, tentava fazer mais não ficava bom! meu pai comprava meus carros de lata. Tempos bons! Criançada é prá brincar, correr, cair… se atirar em tudo. Faz parte do jogo da vida.  E os jogos e brincadeiras da criançada fazem farte das primeiras ações de socialização do indivíduo… Servem para a definição dos papeis de cada um, gênero… é uma espécie de controle social.

 

fonte: Diario do Nordeste

  Pois bem, ainda tenho bem claro na mente os movimentos dos dedos grossos e calosos, de levar furada de agulhas, daquelas mulheres criando a boneca tão sonhada das meninas. Agora, muitas dessas meninas, moçinha, já estavam naquela fase da vida que Luis Gonzaga cantou, em o xote das meninas: “toda menina que enjoa da boneca / É o siná que o amor já chegou no coração…” E esse era o sinal mesmo… Quando as bonecas começavam a ficar encostadas era porque elas já estavam “suspirando e sonhando acordada”. Não tinha médico que diagnosticasse a mudança… “(…) o pai leva ao dotô / A filha adoentada/ Não come, não estuda, não dorme, não quer nada/ Ela só quer / Só pensa em namorar / Mas o dotô nem examina / Chamando o pai do lado/  Lhe diz logo em surdina/ Que o mal é da idade/ Que prá tal menina / Não tem um só remédio/ Em toda medicina…”

 Fiz esse floreio todo porque queria contar da reportagem que acabo de ver das bonequeiras do Crato, no Diário do Nordeste

Do Diário do Nordeste

Crato – Bonequeiras deste Município, um grupo de mulheres, que transformou a sombra de uma mangueira em um “atelier terapêutico” para fabricação de bonecas de panos, foram inspiração para um livro lançado na última semana, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp-SP), durante uma exposição do artista multimídia Avelino Bezerra, que faz uma retrospectiva de seus 30 anos na Universidade.

O livro “Tramas e Dramas do Boneco de Pano no Tatadrama”, de Elisete Leite Garcia e Maria Ivette Carboni Malucelli (Ed. Livre Expressão, 196 páginas), está ancorado em um dos pensamentos de Platão: “Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de brincadeira do que em um ano de conversa”. O primeiro capítulo do livro é dedicado ao Cariri que, segundo Elisete, foi a fonte de inspiração do seu trabalho. Mais detalhes

Foto: Antônio Vicelmo

 

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