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As músicas do Noel são de uma simplicidade poética, de uma sutileza que parecem ser de anos recentes. Sempre achei que elas fossem irmãs das composições do Chico.  Nem quero discutir mérito, coisa alguma. Bem, Noel e Francisco Buarque estão ali bem empareados em minhas referencias. Sou do tempo do rádio AM em que se ouvia do Bolero de Ravel à Orlando Silva, passando por Chico, Gil, Mutantes, Reginaldo Rossi, Luis Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Noel, Nelson Cavaquinho, Bartô Galeno, Teixeirinha e Waldick Soriano…  Mas voltando ao assunto, Chico é o maior letrista desde Noel Rosa. Noel de Vila Isabel fez: “Três Apitos, Conversa de Botequim, O Orvalho vem Caindo… Já o Chico fez Januária, Carolina, Rita, Beatriz, Juca, Apesar de Você. Claro que guardadas as devidas proporções, como diz uma amiga minha, as letras do Chico têm formas mais complexas que as de Noel, pela sua formação, pela vida que sempre levou. O estilo de Noel talvez o levasse a compor “Carolina”, Januária… Mas “Construção, Geni e Zepelim, talvez não.

Noel tinha espantosa fluência verbal fazia tudo parecer muito fácil. Sua vida boêmia e seus desenganos amorosos lhe deram uma percepção amarga das coisas que se vê em “Último desejo”, “Pra que mentir”, “Filosofia”, “Quantos beijos”… Diz-se dele (como de tantos compositores do samba) que compunha batucando na mesa do botequim, rabiscando em guardanapos, esperando o bonde. Fazia música de ocasião, atendendo à provocação de um amigo, ou estimulado pela melodia nova que o parceiro acabava de dedilhar ao violão.

Abaixo, o Rodrigo Amarante  e Orquestra Imperial,  canta um clássico do Noel, “Pela primeira vez”. No segundo vídeo Caetano canta “Carolina”, do velho Francisco Buarque.


 

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