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O moçambicano Mia Couto, pra mim, é um dos grandes escritores… Um bom ficcionista. Não sei dizer se é um bom poeta… É que eu não tenho muitos critérios para tal julgamento. Mas estou lendo um livro de poesias dele que se chama “Tradutor de Chuvas”, com 66 poemas, e nem preciso dizer que também estou gostando até demais da conta. As poesias ‘carregam’ no lirismo… e eu acho isso fantástico. Mia Couto cria um mundo próprio… É como se fosse uma “agricultura às avessas”… onde ele com “apenas uma semente / planta a terra inteira”, ao mesmo tempo que admite só ter palavras para o “indizível”. Nisso aí ele é craque. Ele fez-se no ato de escrever e por isso faz acontecer os nascimentos reais ou simbólicos, as mães e os filhos, os partos, as casas e os rios, os infinitos e as eternidades… Na verdade, um verdadeiro labirinto de arquétipos. Os poemas que gosto do livro são os mais curtos: “a minha tristeza / não é a do lavrador sem terra. // A minha tristeza / é a do astrônomo cego”… Também tem àqueles narrativos como “O brinde” e “Os que esperam”. Tem também aqueles que materializam sutilmente a passagem do tempo: “O bairro da minha infância” e aqueles que focam com nitidez gestos concretos: “… a moça sentada num degrau, pintando as unhas como quem oculta a morte da sua meninice, corpo dobrado na “delicada intenção do ourives”. Pois bem, quem não ainda não leu sugiro dar uma olhadinha no livro do autor; vocês não vão se arrepender.

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