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Do Terra Magazine

                     

Só louco / Amou como eu amei / Só louco / Quis o bem que eu quis
Oh, insensato coração / Por que me fizeste sofrer? /
Porque de amor para entender / É preciso amar / Porque / Só louco…
Dorival Caymmi

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“O que há nesta canção de Caymmi que a faz tão especial? Composta lá atrás, em 1955, como ‘samba-canção’, ganha performances marcantes com Nana, Gal e com o próprio Caymmi, e certamente anuncia o jeitão/jeitinho da bossa nova (confira no YouTube).

Constrói no coração-ouvido da gente uma certa sensação suspensiva. A gente fica suspenso junto com a música, pairando no espaço da canção, no espaço desse monólogo onde não há referência direta ao objeto amado – ‘quis o bem que eu quis’ e não ‘quis o bem que eu te quis’ como às vezes ouvimos por aí -, pairando, em suma, na turbulência estática da fricção entre o reconhecimento da loucura do amor (sua insensatez) e ao mesmo tempo de sua inevitabilidade (‘é preciso amar’). Mais

 Paulo Costa Lima é compositor. Pesquisador pelo CNPq. Professor de composição da Universidade Federal da Bahia.

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